O principal objetivo do estudo é aprender a sistematizar variantes lingüísticas usadas por uma mesma comunidade de fala.
É interessante observar que o próprio William Labov, iniciador da Teoria da Variação - o modelo mais difundido em Sociolingüística e objeto do livro em questão - reconhece que a teoria tem sido mais aplicada na análise de línguas românicas que no inglês. E cita como exemplos os estudos do espanhol do Panamá, Porto-Rico e Argentina, do francês canadense e do português brasileiro.
No capitulo Breve histórico da sociolingüística quantitativa sita o modelo de analise proposto por William Labov que se apresenta como uma reação do modelo à ausência do componente social no modelo gerativo. Foi ele quem insistiu veemente na relação entre língua e sociedade e da possibilidade, virtual e real, de se sistematizar a variação existente da própria da língua falada.
O modelo de analise lingüística proposto por Labov é também rotulado por alguns de “sociolingüística quantitativa” por operar com números de tratamento estatístico dos dados coletados.
Em toda a comunidade de fala são freqüentes as formas lingüísticas de variação. “Variantes lingüísticas” são, portanto, diversas maneiras de se dizer a mesma coisa em um mesmo contexto, e com o mesmo valor de verdade. A um conjunto de variantes dá-se o nome de “variável lingüística”.
A Teoria da Variação, também denominada sociolingüística correlacional ou quantitativa, é herdeira do estruturalismo na Lingüístíca, incluindo-se aí o modelo gerativo-transformacional, e da Sociologia formal empírica que lida com dados estatísticos censitários. O paradigma laboviano parte do pressuposto axiomático de que a variação é sistemática e inerente a toda língua natural e não um produto residual da mistura de dialetos, como a consideravam os lingüistas estruturalistas. Ademais, ao contrário dos gerativistas, que trabalham dados obtidos pela introspecção, na sociolingüística laboviana todo corpus para análise é recolhido em comunidades reais de fala e deve ser representativo da linguagem empregada pelos seus membros em diversas situações estilísticas.
Depois de feita uma análise estrutural, os resultados finais proporcionarão a formulação de regras gramaticais, regras variáveis, pois o favorecimento de circunstancias lingüísticas e não-lingüísticas apropriadas à aplicação de uma regra especifica. Trata-se, portanto de um sistema lingüístico de probabilidades.
A variante considerada padrão é, ao mesmo tempo, conservadora e aquela que goza do prestigio sociolingüístico na comunidade. As variantes inovadoras, por outro lado, são quase sempre não-padrão e estigmatizadas pelos mesmos da comunidade.
O Autor sempre tem o cuidado de ilustrar os conceitos com exemplos retirados de pesquisas anteriores, o que, além de tornar o texto mais eficiente, inicia a familiarização do leitor com a bibliografia básica.
A língua falada é o vernáculo lingüístico de comunicação usado em situações naturais de interação social, do tipo de comunicação face a face.
Em suma, a língua falada é o vernáculo: a anunciação e expressão de fatos, proposições e idéias (o que) sem a preocupação de como enunciá-los.
Vê-se, por conseguinte, que a natureza do objeto de estudo sempre precederá o levantamento de hipóteses de trabalho e, conseqüentemente, a construção do modelo teórico.
O segundo e terceiros capítulos ocupam-se do método de coleta dos dados e de seu tratamento estatístico. Como ilustração é usada uma variável morfêmica: a marcação do plural no sintagma nominal, e uma variável sintática: a pronominalização nas orações relativas.
No terceiro capítulo o autor ainda cita a importância de conhecer a teoria para operacionar o modelo proposto, como o encaixamento lingüístico da variável, que devemos entender a motivação das hipóteses, dos grupos de fatores.
“Obviamente o encaixamento de uma variável não necessariamente o levará de volta ao sistema gramatical padrão. O contato com o bruto e sua experiência como modelo de analise o ajudarão no estabelecimento de outras e novas hipóteses de trabalho”.
No capitulo A variação lingüística: segunda instância descreve testes de percepção e produção, que constituem recursos metodológicos complementares, enquanto que o quinto Variação e mudança lingüística tratam do estudo da mudança lingüística, seja no tempo real, seja no tempo aparente, quando a variação diacrônica é percebida na estratificação etária.
O sexto capítulo apresenta as conclusões. Ao longo de todo o livro, enfatiza o valor sócio-simbólico da variação lingüística, demonstrando que qualquer estudo de variação tem de ser “encaixado” numa matriz mais ampla das relações sociais.
Os últimos capítulos muito úteis dedicados ao vocabulário crítico - indispensável num livro introdutório - e à bibliografia comentada.
Concluímos que a pesquisa sociolingüística mostra que os falares regionais pode ser descritos e mapeados com base em uma metodologia da linguagem que subsidie o trabalho do lingüista. Assim, a Sociolingüística estudaria as relações entre as variações lingüísticas e as variações sociológicas. Descrevendo o falante em toda sua essência, não desprezando o contexto em que se encontra, mas, levando em consideração todo aspecto em que se encontra no momento em que emite uma mensagem. Nesse mesmo contexto, ele afirma que a língua por ser um marcador que identifica usuários ou grupos a qual pertence , pode também ser o delimitador das diferenças sociais no seio de uma comunidade.
TARALLO, Fernando. A Pesquisa Sociolingüística. 5ª ed. São Paulo: Ática, 1997. Série Princípios.
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